A Phrónesis (também conhecida como prudência ou sabedoria prática) é a ação ponderada, discutida e examinada. É um conceito atribuído ao filósofo Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C), articulado na obra Ética a Nicômaco, em que o filósofo desenvolve o conceito legado por Platão, tecendo uma interpretação sobre a existência e as ações humanas.
A prudência é cautela, não morosidade. Aliás, não admite demora ou perda de tempo. A prudência é rápida e certeira.
Nas palavras de Aristóteles, o ser humano prudente é aquele que age como convém, no sentido de agir com sabedoria.
Para Aristóteles, a parte racional da alma se divide em duas faculdades racionais: a Científica (ou contemplativa) e a Calculativa. Nesse lugar racional da alma, que tem duas funções ou partes, estão as virtudes dianoéticas (capacidades de conhecimento possíveis para essa alma racional).
As virtudes dianoéticas (da parte racional da alma ou da nossa inteligência aplicada ao agir) repercutem na vida cotidiana em diferentes áreas, como na Ética, na Moralidade e no Direito, as quais não se adquirem por meio de livros (conhecimento teórico).
A virtude do pensamento científico faz com que o ser humano conheça as coisas invariáveis (universais), sendo a virtude responsável por essa atividade a sabedoria chamada Sophia (sabedoria intelectual). Já a virtude Calculativa trabalha com o que é contingente, aquilo que muda — e é aqui que opera a Phrónesis/Prudência (virtude de sabedoria prática ou discernimento).
Phrónesis é uma inteligência prática capaz de ver o que é bom ou mau para o ser humano, em situações singulares e imprevisíveis. É o tipo de sabedoria adquirida com a vida, com a experiência, explorada a partir de erros e acertos. É o agir com inteligência. Saber agir bem. Fazer escolhas inteligentes na vida.
Há uma frase citada por Aristóteles, no livro I da Ética a Nicômaco, atribuída a Hesíodo:
“O perfeito é aquele que sabe agir bem e age bem. Ainda tem alguma utilidade aquele que não sabe agir bem, mas escuta o bom conselho. Aquele que não age bem e nem escuta o bom conselho, este é o imprestável.”
A prudência é também aplicar a inteligência não apenas para ficar rico, mas aplicar a inteligência do agir na prática, fazer escolhas inteligentes na vida.
Diante de algumas escolhas que se apresentam, saber agir com inteligência.
Portanto, a Phrónesis é o agir em tempo, de forma ponderada e com sabedoria prática.
Convido aqueles que quiserem se aprofundar no entendimento sobre a Phrónesis a conhecerem a página com o texto escrito por Luciane Félix.
Pensar Phrónesis aplicada à gestão de departamentos jurídicos, de forma alguma relaciona-se à hesitação ou excesso de cautela por parte de seu gestor, diante de qualquer necessidade pungente que possa afetar a companhia, o departamento ou seus integrantes. Tampouco a tentativa de transportar para o momento contemporâneo todo o conceito ético da obra Ética a Nicômaco, construído em um contexto político-social diverso do nosso.
Ter a prudência como inspiração ao presente weblog é a humilde tentativa de enxergar em que medida a sabedoria prática do pensamento aristotélico pode estar presente no cotidiano e contribuir com as decisões do gestor de departamento jurídico.
Em um contexto de modernidade líquida (Bauman, Zygmunt) e de profundas transformações pelas quais passam as relações humanas e empresariais, busca-se refletir em que medida a excelência da boa deliberação pode auxiliar o gestor a buscar o Bem para si e para a organização, na medida em que opta pela reta razão ou o justo meio para encontrar a melhor solução para as incertezas e problemas cotidianos.
A atitude phronética por parte dos gestores jurídicos acarreta comportamentos mais éticos e responsáveis, utilizando a racionalidade tanto na gestão e defesa dos interesses da companhia quanto na relação desta com o Poder Judiciário. Na medida em que a Phrónesis revela uma dupla significação (ética e técnica), poderá auxiliar não apenas na retidão de suas ações e em decisões estratégicas de gestão e investimento (por exemplo, em tecnologia), mas principalmente no momento oportuno — nem antes, nem depois. No tempo certo.
Assim, a subsunção da Phrónesis aristotélica que se propõe, à luz da realidade e dos anseios de gestores de departamentos jurídicos, dialoga com a busca pela melhor e mais sábia decisão que assegure a sua eficácia.